sexta-feira, 29 de agosto de 2014

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No 8 de Março, 4 mulheres executadas em Goiânia

Polícia agora quer saber se as vítimas tinham envolvimento com o tráfico de drogas e se vinham sendo ameaçadas. Entre as vítimas, três adolescentes

domingo, 9 de março de 2014 | Por: Editoria

Lyniker Passos

PM observa corpos estendidos, em via pública do Jardim Petrópolis, no Morro do Mendanha  (André Costa)

PM observa corpos estendidos, em via pública do Jardim Petrópolis, no Morro do Mendanha (André Costa)

Morro do Mendanha, Jardim Petrópolis, Goiânia. Na data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, quatro garotas, sendo três adolescentes, foram encontradas mortas com tiros na cabeça, em uma via pública. A polícia chegou até o local às 8 horas de ontem, mas provavelmente as execuções aconteceram na madrugada, por volta das 3 horas. De acordo com levantamentos da Polícia Civil, as investigações apontam possibilidade do envolvimento das vítimas com uso ou tráfico de drogas e rede de prostituição.

Apesar de o local ser pouco povoado, vizinhos escutaram o disparo de pelo menos sete tiros durante a madrugada. Três jovens levaram um tiro na têmpora. Já a quarta foi atingida na cabeça, braço e abdômen. Segundo o delegado-titular da Especializada em Investigação de Homicídios (DIH), Murilo Polati, apenas uma das vítimas portava documento de identificação e um aparelho celular, que era Mylleide Morgana, de 19 anos. Sinara Monteiro, 16, Ana Kelly Martins Cardoso e Rayane Kellry, 16, adolescentes, foram identificadas ainda na manhã de ontem.

As quatro vítimas moravam na mesma casa no bairro São Francisco, que fica próximo à cena do crime. Duas delas seriam primas, mas ainda não se sabe quais são. O celular encontrado com uma das vítimas deve passar por perícia e pode ajudar nas investigações. “Supostamente elas estavam de joelhos no momento da morte. O mais importante é traçar o perfil das vítimas, o que elas faziam e se sofriam ameaças”, diz Polati.

O delegado descartou a possibilidade de estupro. Mas acredita que pelo menos quatro pessoas participaram do crime, já que uma quantidade menor de criminosos não conseguiria realizar a execução da maneira como foi verificada pela perícia. O delegado disse que uma testemunha afirmou que durante a madrugada uma caminhonete de cor branca teria saído em alta velocidade do local. Polati também acredita que elas foram enganadas por seus assassinos. “Já que uma das vítimas, a maior de idade, segundo testemunha, seria muito esperta.”

A testemunha também disse que as meninas mortas tinham rotina movimentada, com festas e uso de drogas. No local do crime a polícia encontrou dois projéteis, provavelmente de um revólver calibre 38 e algumas garrafas de bebida alcoólica. As possibilidades de imagens de câmeras de segurança também estão praticamente descartadas, já que os equipamentos existentes estavam distantes.

Redes sociais

As quatro jovens mortas no Jardim Petrópolis possuíam páginas no Facebook. Mylleide Morgana tem na foto de capa a imagens de uma pistola, segurada por mão de mulher. Amigos usaram a página para se despedir da jovem e questionar a violência das mortes. Textos publicados pela jovem aludem à falsidade em relacionamentos. Em outro post, ela diz que para alguns sorrirem, outros precisam chorar. Um contato da jovem diz que ela estaria grávida de dois meses, mas a informação não foi confirmada.

Uma das amigas de Mylleide, que pediu anonimato, revelou que as jovens eram amigas porque moravam juntas, mas não costumavam estar juntas sempre. Segundo essa amiga, Mylleide passou o carnaval em Leopoldo de Bulhões na companhia de outros amigos e não sabe dizer se as jovens mortas também estiveram na cidade. “A gente fica com medo porque não sabemos exatamente o que foi a causa da morte. Não tenho certeza se ela era envolvida com essas coisas que a polícia está falando, mas ela era muito simpática e onde chegava tinha conhecidos. Era muito alegre e divertida.” Rayane Kellry tem, entre suas fotos de perfil, imagens com camiseta de torcida do Goiás. As informações repassadas extraoficialmente detalham que as jovens, antes de serem mortas, estariam em uma festa num local chamado Passarela.